Cinco letras separam a ilusão do real. Por exemplo: você quase me amou, eu quase acreditei e eu quase saí inteira dessa história.
Final feliz? Não. Eu quero ser feliz agora, quero ser feliz hoje. Minha necessidade de ser feliz é muito urgente para esperar até o final.
O que definitivamente não dá certo, ao menos para mim, é se apaixonar. Agora, que graça tem fazer qualquer coisa da vida sem estar apaixonada? Ô vidinha filha da puta.
Você fechou a porta na minha cara.
Eu era louca por você, desesperada para te fazer feliz, viciada na tua presença. Eu amava todos os seus incontáveis defeitos, sabia de cor tuas preferencias, gostava de você assim, bobo, idiota, irônico, palhaço. Mas você se mostrou algo que eu não fazia ideia. Você se mostrou burro, covarde, besta.
Eu fui à seu encontro, disposta a me doar, a ser só tua. Mas você fechou a porta na minha cara.
Se dói tanto, por que você ainda insiste?
Você se despede de dela com um abraço e um sorriso, cheio de ternura, passa pela roleta, embarca e se vai. E ela alí parada, com medo de te seguir - medo de sofrer ou até mesmo de ser feliz, não sei. Mas algo a impede de embarcar.
Tá entendendo? Isso é medo, puro medo, rapaz. Dos piores, sabe? Medo de gente boba. Depois de tantas quedas, tantas decepções, acha que embarcar mais uma vez é masoquismo, tadinha dela, tadinha. Medrosa que dá dó.
Se eu pudesse segura-la e gritar no seu ouvido “vai ser feliz, porra. Olha pra ele, não é todo dia que você encontra alguém assim, não é todo dia que você encontra o amor. Vai ser feliz!” a história seria outra. Mas tô aqui aprisionada no corpo dessa covarde.
Ela acha que sou um pensamento chato, que sou sonhadora, inconsequente e me ignora totalmente.
Meu nome? Coragem. Se ela me escutasse mais, já tinha embarcado. Mas a medrosa não quer saber de arriscar. Por isso que tá aí. Parada, com essa dúvida que a devora por dentro. Tadinha…
Ela é uma moça de poses delicadas, sorrisos discretos e olhar misterioso. Ela tem cara de menina mimada, um quê de esquisitice, uma sensibilidade de flor, um jeito encantado de ser, um toque de intuição e um tom de doçura. Ela reflete lilás, um brilho de estrela, uma inquietude, uma solidão de artista e um ar sensato de cientista. Ela é intensa e tem mania de sentir por completo, de amar por completo e de ser por completo. Dentro dela tem um coração bobo, que é sempre capaz de amar e de acreditar outra vez. Ela tem aquele gosto doce de menina romântica e aquele gosto ácido de mulher moderna.
Caio Fernando Abreu
Se foi e me deixou como louca, escondida no jardim da agência, chorando, te perguntando pra onde foi o amor.
(Tati Bernardi)
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