terça-feira, 24 de abril de 2012

- Caio Fernando Abreu & Tati Bernardi .
 
o meio da aflição objetiva de sobreviver nesta cidade, neste pais neste planeta, neste tempo — ando também bastante sereno. Acho. Alguma coisa em mim — e pode-se chamar isso de “amadurecimento” ou “encaretamento” ou até mesmo “desilusão” ou “emburrecimento” — simplesmente andou, entendeu? Desisti de achar que o príncipe vai achar o sapatinho (ou sapatão) que perdi nas escadarias. Não sinto mais impulsos amorosos. Posso sentir impulsos afetivos, ou eróticos — mas amorosos, sinceramente, há muito tempo. É estranho, e não me parece falso, mas ao contrário: normal. Era assim que deveria ter sido desde sempre. E não se trata de evitar a dor, é que esse tipo de dor é inútil, é burra, é apego à matéria. Sei lá. E não sei se me explico bem.

-CFA
 
A impressão que tenho é que nunca vai passar. Que a cicatriz não fecha. Que só de esbarrar, sangra.

Se você me amar e eu te amar, não precisamos da aprovação de ninguém para ficar juntos, como também não precisamos assinar nenhum papel ou aceitar qualquer espécie de jogo. Não acredito que maus fluidos, por mais fortes que sejam, consigam destruir um amor bonito, limpo.
 
Eu quero mais é alguém que me enlouqueça mesmo, Que me tire da rotina, que consiga apimentar um fim de tarde de uma segunda-feira chata, que me surpreenda, que me prenda e não me solte mais. Que me faça perder o juízo, o rumo, que me faça colocar sal no café, sabe como é?
 









                         Tati Bernardi ...


 

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